Sobre Nós


Prólogo – Chief Assassin Ivayne of the Scarlet Crusade

Meu nome é Ivayne, a Assassina, tenho 27 anos. Sou ladina e a 3ª Chief Assassin da Scarlet Crusade. Dizem que tenho a alma bondosa, mas os fantasmas do meu passado gritam furiosamente dentro de mim pedindo vingança me fazem acreditar que talvez bondade seja uma palavra um tanto vaga. Talvez seja a hora de compartilhar estes fantasmas com outros – as memórias de Ivayne, a assassina.


Capítulo 1 – A camponesa Ivayne

Era primavera nos reinos do Norte. Era uma mulher caseira de longos cabelos escuros, e estava noiva. Eu tinha 19 anos e casaria no final da primavera, com o bravo paladino Leonard Jealloutus. Eu e minha família vivíamos tranquilamente numa vila nas clareiras de Tirisfal, ao noroeste das muralhas de Lordaeron. Meu pai era lavrador e um alquimista excepcional, um homem querido e respeitado por todos da vila; minha mãe, tecelã e ex-guerreira, era gentil, forte e liderava, de certa forma, a vila; e meu irmão mais velho, Paulus, era um homem admirável, um guerreiro forte e justo, um dos heróicos membros do exército de Lordaeron que retornaram após a segunda grande guerra contra a Horda.
Lembro-me claramente que o Príncipe Arthas havia saído em campanha contra demônios nas gélidas terras de Northrend e seu retorno foi celebrado com alegria e glória por todos os cidadãos de Lordaeron. A festa era linda, a capital estava toda enfeitada, e os sinos da Catedral badalavam o tempo todo, e Lordaeron inteira ovacionava e jogava flores à passagem do herdeiro do trono. Mas havia algo estranho e a alegria pelo retorno do príncipe de Lordaeron acabou logo quando este, enfurecido, se auto-intitulando “Rei”, matou o próprio pai, o Rei Terenas Menethil II, tomou a cidade e ordenou aos seus lacaios que abrissem os portões para que a Scourge invadisse.
O caos havia tomado conta da cidade. Centenas de pessoas foram mortas em um piscar de olhos, e eu me vi obrigada a empunhar lâminas e lutar por minha sobrevivência. Não pude salvar nem meus pais – mortos na minha frente pelo meu próprio irmão transformado em uma criatura morta-viva, que empunhava uma bizarra espada com um brilho azulado – não era mais o meu irmão, era apenas mais um escravo da mente corrompida de Arthas Menethil, conhecido como Doinferno.
Com outros cinco sobreviventes, me refugiei da Scourge num antigo abrigo construído na época da segunda guerra sob a capela da vila. Era úmido e pequeno, não tínhamos mantimentos, estávamos feridos e com fome. A nossa chance de sobrevivência era praticamente zero, quando ouvimos urros do lado de fora do abrigo.
Um ladino, ágil e muito habilidoso, corria livre pela vila, agora amaldiçoada e em ruínas, massacrando todas as abominações que estavam correndo soltas por ali. O ladino aparentava ter pouco mais de 40 anos, era alto e magro, mas apesar do tipo físico, definidos músculos apareciam sutilmente nas marcas da roupa de couro marrom escuro.
Após massacrar até o último monstro, ele reuniu os seus corpos pútridos em uma pilha, e ateou fogo neles enquanto ele fazia uma breve oração. Foi nessa hora em que eu tentei sair em silêncio do abrigo, porém a porta velha do alçapão começou a ranger e em pouco tempo, o ladino já havia arremessado uma adaga oculta em suas vestes de couro em minha direção. A adaga atingiu a porta do alçapão com uma precisão indiscutível, e me fez hesitar em dar mais um passo.
Após ver que era um ser vivo (e não um morto-vivo), um sorriso simpático e contagiante surgiu em sua face austera. O ladino interrompeu suas orações e veio em minha direção, retirando a adaga da madeira e guardando em sua túnica. Ele olhou dentro de meus olhos e disse, sorrindo: “Ainda bem que eu não havia mirado em você. Você está bem?” E mesmo ouvindo a voz dele e observando o sorriso, não havia ainda compreendido que eu estive a um passo de morrer – de novo. “Eu sou Invar. Qual o seu nome, donzela?” foi o que eu pensei ter ouvido em seguida, mas mesmo assim não conseguiu me tirar do transe em que eu havia entrado. Apenas alguns segundos depois que eu entendi o que houve e com algum susto eu consegui responder o ladino. Os outros sobreviventes saíram do abrigo e viram a figura que havia eliminado todas as ameaças a nossa sobrevivência do lado de fora, e começaram a re-estruturar tudo de novo.
Logo após este incidente, e ao ver todos reconstruindo as casas e plantando novamente o que havia sido perdido, Invar decidiu ficar conosco algum tempo. Foi aí que ele nos contou que era um mercenário a serviço do Rei Terenas e veio correndo quando soube o que havia ocorrido na capital.
Ele nos contou sobre a sua história, sobre alguns de seus feitos, porém não falou muito sobre o acidente que havia lhe custado um dos braços. Logo eu comecei a encaixar os fatos e me lembrei das histórias de um assassino de um braço só que ouvia meu pai contar como um conto de Hallow’s End. Isso me deixou ainda mais curiosa sobre o misterioso mercenário assassino que estava a minha frente neste momento, partilhando da comida que ele rapidamente foi caçar nas florestas próximas a vila. Mesmo a falta de um braço não o impediu de continuar sua carreira como assassino, nem de empunhar majestosamente sua espada de metal escuro, Serilas – a lâmina tinha um encantamento que reluzia com um tom meio avermelhado, o que lhe dava o apelido de “lâmina de sangue” nas lendas em que o meu pai contava. Não havia dúvidas: estava na frente de uma lenda viva.
Invar nos proveu durante os meses seguintes comida e água pura para nos mantermos vivos, e nos treinou para sermos ágeis e furtivos, capazes de caçar animais ainda sadios e colher algumas frutas sem sermos notados pela Scourge. Claro que muitas vezes me vi em maus lençóis sendo atacada pelos mortos-vivos, mas conseguimos nos manter vivos neste período de pouco tempo, e graças ao treinamento quase que militar de Invar, conseguimos aprender a manusear adagas, espadas e alguns até conseguiram manusear machados.

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